Resumo da Conversa com o CEO Reynaldo Gama

Nosso grupo Vistage CRM visitou nesta última quarta-feira (03 de abril 2019) o cubo Itaú, em São Paulo – Vila Olímpia. Lá estivemos com o CEO do cubo, Reynaldo Gama que nos forneceu, em 1h00 de conversa seguida de visitação às startups instaladas no prédio, preciosas informações sobre o negócio digital e sobre startups. A seguir um breve resumo de sua conversa conosco:

Alguns destaques
“O processo de mudança numa organização não passa somente pelo digital, mas pelo cultural”
“O que traz valor para uma startup não é a sua ideia mas a capacidade de implementá-la”
“O que alavanca, dá escala e significa o verdadeiro “turn-key” de uma startup é a venda b2b e não a b2c”

Cubo Itaú: o que é e como surgiu?
O cubo é uma associação, sem fins lucrativos, com a Redpoint eventures – investidora, em startups, há cerca de 25 anos no Vale do Silício e desde 2012, no Brasil.

Surge como desdobramento da viagem, há cerca de 6 anos atrás, ao Vale do Silício dos sócios do banco Roberto Setubal e Pedro Moreira Salles, juntamente com alguns VP’s do banco. Lá se dão conta da urgência de se posicionarem de forma mais ativa diante das mudanças que o mundo digital está promovendo nas indústrias, de modo geral. Ainda que os avanços tecnológicos, historicamente, tenham sempre sido agentes de mudanças, a velocidade destas transformações aumentou, significativamente. Fato que faz toda diferença em termos de posicionamento.

Diante deste fato, percebem também a importância de não somente acelerarem a transformação digital do grupo mas, muito mais que isto, promoverem a uma verdadeira transformação cultural na organização.

Para viabilizar esta mudança de filosofia buscam parceria com quem detém know-how no segmento de startups: a Redpoint Ventures. Dentre os insights que esta parceira proporcionou dois se destacam: i) a iniciativa não deve limitar- se a startups ligadas ao core business do banco, as fintechs. O foco correto está nas mudanças de processos do corporate, em geral. Por exemplo: a área do jurídico do Banco possui cerca de 1000 colaboradores. Por que não atentar para uma legaltech? Na prática, isto significa que uma grande organização quando está imbuída da mentalidade “open inovation” o processo de inovação não precisa estar necessariamente ligado ao seu “core business”.

Características
Fundado em 2015, hoje o cubo é o maior e mais relevante centro de empreendedorismo tecnológico da AL. Tem como objetivo conectar num só lugar empreendedores, grandes empresas, investidores e universidades para discutir sobre tecnologia, inovação, novos modelos de negócio, novas formas de trabalhar e como desafiar o status quo, visando um mundo melhor.

O cubo não é uma incubadora, não é uma aceleradora de start ups. Uma incubadora tira uma ideia do Power Point e procura transforma-la num projeto, de fato. Uma aceleradora financia o desenvolvimento do produto, do serviço já previamente estruturado. O cubo tem uma curadoria que seleciona as startups. Para fazer parte dele estas empresas, precisam ter ao menos duas características: já possuírem pelo menos um cliente onde sua solução esteja rodando e possua esta solução tenha “escalabilidade”. Ao todo são 117 startups residentes: aquelas em que o founder e o CEO, ficam no prédio do cubo e outras 200 startups membros, cujos lideres ficam em outras cidades. Uma cadeira custa R$1050,00. Existem startups com 2 pessoas. Este número varia. A partir de 10 o preço, por cadeira, cai.

Faz parte também do ecossistema do cubo, as patrocinadoras. No momento são 23. Dentre elas: Coca-Cola, Tim, DASA, Kroton, Accenture. Para ser uma patrocinadora é fundamental que a empresa seja de fato, uma empresa que o cubo denomina de: “open inovation”. Para se tornar uma mantenedora a empresa também passa por uma curadoria. Desta forma evita-se que empresas cuja direção sofra do mal denominado FOMO – Fear of Missing Out – digital. Na prática isto significa que queiram participar deste ecossistema somente para se autointitularem, “empresas digitais”. Isto acaba por frustrar todos os envolvidos: estas empresas, as startups, por elas mantidas e cubo.

Métricas
A Associação Brasileira de Startups – ABSTARTUPS, possui cerca de 11.000 empresas inscritas. Deste total, 95% morrem com até três anos de existência. Os outros 5% não completam cinco anos. As demais sobrevivem além deste tempo. Somente algumas pouquíssimas tornam-se empresas “unicórnio” (apelido dado às startups que possuem avaliação de preço de mercado de mais de US$ 1 bilhão. Este termo foi criado em 2013 por Aileen Lee – americana, investidora de capital de risco, fundadora da Cowboy Ventures . Exemplos de empresas unicórnio: Nubank, 99, Movie e PagSeguro. Em 2017 existiam 227 empresas unicórnios ativas).

A idade média dos founders de startups no Vale do Silício é de 36 anos. No cubo, 35 anos. Nas unicórnios, 42 anos. Um bom mix é a combinação do que se chama “jovens brilhantes com velhos opacos”. Alguns empreendedores têm idade média de 60 anos. Em geral são ex-executivos que procuram investir em soluções que conhecem como sendo ultrapassadas no processo das corporações.

Além do Itaú, outros bancos têm programas semelhantes: o Bradesco (ver www.inovabra.com.br) o BTG Pactual tem o programa boostlab de startups (ver www.boostlab.com.br) e o Banco do Brasil o programa startups labb (ver www.startupslabbs.com.br).

Retorno para o Banco
Relevância para a marca: a partir do protagonismo no ecossistema de inovação digital. Atração, seleção e retenção de talentos: dificilmente um jovem da geração millennials e com cabeça privilegiada quer trabalhar num banco com cerca de 100 anos de existência. Instituições deste tipo não tem nenhum atrativo para estes jovens. Eles dão preferência para empresas “jovens” digitais e bem sucedidas tais como Google, Spotfy, Amazon, etc. Para atrair estes talentos é necessário convencê-lo que está nas mãos dele, a possibilidade de transformação deste tipo de corporação, tradicional. Mas para que isso ocorra é necessário a existência de uma cultura de transformação. Neste sentido, o cubo serve como isca.

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